HISTÓRIA
PESCA
DESPORTIVA
CONCEITO: A
pesca, primeira atividade humana de
sobrevivência, adquiriu uma dimensão lúdica quando o
homem se tornou pastor e agricultor.
Desde então, seu exercício não visa apenas à
obtenção de alimento: o homem descobriu o prazer da
captura, passando a pescar não apenas por necessidade,
mas também para dar largas a esse prazer. Desse fator
nasceu a pesca desportiva, cujo desenvolvimento
está estreitamente ligado à evolução
dos petrechos de pesca. Tal evolução tem como
característica a crescente delicadeza dos
implementos: quanto mais leves, mais desportiva é a
pesca. No moderno conceito de pesca desportiva
distinguem-se quatro elementos indispensáveis: o anzol,
a linha, a vara e o molinete.
ANZOL: Surgido
no Paleolítico como simples esquírola de duas pontas
aguçadas, era utilizado com a linha amarrada no meio
e recoberto por uma isca natural; engolido pelo
peixe, alojava-se em sua garganta. No Neolítico, o anzol
feito de osso, madeira ou concha, assumiu a forma básica
que conserva até os dias atuais.
O anzol metálico surgiu no Oriente Próximo c. 5000
a.C., quando o ferro e o cobre começaram a ser
trabalhados. Entretanto, a feitura de anzóis de
aço só teve início no final do séc. XIV, ao
estabelecer-se em Londres a primeira manufatura,
relacionada então à de agulhas de costura.
Atualmente, a Inglaterra, a França, os EUA e o Japão
são grandes fabricantes; mas é a Noruega o
principal produtor, apresentando no mercado internacional
cerca de 60 mil tipos diferentes.
LINHA:
As linhas de pesca eram, a princípio, feitas
de fibras vegetais ou animais (algodão, cânhamo, linho,
seda); com a tecnologia moderna, essas fibras foram
substituídas por materiais sintéticos ou metálicos,
como naylon, dacron, cobre, monel (liga de
níquel), chumbo revestido de nylon trançado etc.
O nylon monofilamento (com espessura de 0,10 a 2,00
mm) é o material mais utilizado pelos pescadores de
água doce e salgada, amadores e profissionais, para
peixes diminutos ou gigantescos. Uma linha
altamente especializada é a usada principalmente na
pesca de trutas e salmões com moscas
artificiais (fly casting). Como estas iscas não
tem praticamente peso, houve necessidade de
distribuir-se pela linha o peso que flexiona a
vara e que em outros aparelhos está
concentrado numa isca pesada ou chumbada.
Assim, nessa modalidade desportiva, a linha que é
lançada e não a mosca. Por volta do séc. XVII,
eram feitas de fios trançados de crina animal (cauda de
cavalo), posteriormente de fios de seda e atualmente de
nylon recoberto por um plástico especial.
Essas linhas são geralmente fusiformes
e flutuantes, havendo, porém, para uso em
situações particulares, linhas que afundam ou
que bóiam parcialmente. Esse propósito é
alcançado através de controle e gravidade específica
do plástico que recobre a linha. Como
existem diversos tipos de varas, de
flexibilidade e comprimento diferentes, fabricam-se
linhas de pesos diferentes para atender a essas
variações. A cada peso corresponde um número que
varia de 1 a 12.
VARAS DE PESCA:
O aparecimento das varas de pesca resultou da necessidade
de ampliar o raio de ação do braço do pescador. A
princípio, qualquer pedaço de madeira
razoavelmente reto era utilizado. O bambu, por ser oco,
flexível e reto, logo entrou em uso, e é até
utilizado em grande escala em todo o mundo. Por volta do
séc. XVIII, surgiram na Europa varas de pesca de madeira
sólida feitas com uma ou mais seções. As madeiras mais
usadas eram provenientes da América do Sul, lancewood e
greenheart. Todavia, apesar de fortes, elas apresentam
inconvenientes, como peso demasiado e tendência a
empenamento. Em 1801, Snart, em sua obra Pratical
observations on angling in the river Trent
(Observações práticas sobre a pesca no rio
Trent), mencionou pela primeira vez a vara feita de
lascas de bambu colada uma às outras (built cane).
Estas varas, depois confeccionadas com seis tiras de
perfil hexagonal, estiveram em uso até 1948, quando o
panorama da manufatura de varas de pesca sofreu radical
mudança com a aparecimento da fibra de vidro.
Impregnado de resina sintética, esse material
substitui por completo as varas metálicas (aço,
ligas de cobre etc.), muito usadas no
período 1920- 1947, e, em grande parte, o
bambu. Imune ao calor, frio, apodrecimento,
corrosão pela água salgada, umidade, esse material
apresenta grande facilidade de recuperação da forma,
mesmo depois de curvo durante muito tempo. Entretanto, as
varas de built cane, delicado trabalho de artesanato, de
preço elevado, continuam contando com a preferência dos
especialistas de pesca com mosca.
APARECIMENTO DOS MOLINETES OU
CARRETILHAS
O molinete surgiu da necessidade de o pescador ter mais
linha à sua disposição, para um arremesso mais longo
ou pra o caso de fisgar um peixe maior. A primeira
menção ao molinete aparece na obra de
Thomas Baker, The art of angling (1651; A arte da
pesca desportiva). A princípio era um simples
carretel de madeira adaptado à vara de pesca. Em
1810, o relojoeiro norte-americano George Snyder
inventou o primeiro molinete multiplicador, isto é,
aquele que com uma volta da manivela transmite
ao carretel várias revoluções, aumentando a
capacidade de recuperação da linha.
Embora os primeiros molinetes multiplicadores de carretel
giratório possam ser usados na pesca marítima, ficou
evidente a necessidade de modelos maiores e mais
resistentes à corrosão. Daí o aparecimento de latão
cromado, ligas de alumínio etc. Foram, entretanto, as
exigências dos pescadores de atuns gigantes da
Califórnia que estimularam a invenção do sistema
de freios para molinetes. Antes do seu advento, o freio
era apenas um pedaço de couro adaptado exteriormente ao
molinete e controlado por pressão do polegar do
pescador.
Deve-se ao engenheiro norte-americano William C.
Boschen a invenção do sistema de freios com discos
de fricção como é hoje conhecido. Diversas vezes
aperfeiçoado, esse sistema permite a captura dos grandes
peixes de alto mar, de até uma tonelada de peso.
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PEIXES MAIS ENCONTRADOS
Peixes
mais encontrados na costa brasileira para a pesca
amadora:
Região Sul
- papa-terra, carapicu, pampo, corvina, garopa, robalo;
Região Sudeste
- papa-terra, carapicu, cocoroca, baiacuarara, enchova,
tainha, robalo, pampo, linguado, corvina;
Região Nordeste
- robalo, cavala, bagre, vermelho, xaréu, papa-terra;
Região Norte -
mero, cioba, camarupim.
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PESCA DE PRAIA
Esta modalidade de pesca é bem
característica e merece alguns comentários. Os
equipamentos podem ser divididos em 3 conjuntos: leves,
médios e pesados.
O EQUIPAMENTO LEVE
destina-se à pesca de peixes de pequeno porte, deve-se
utilizar molinetes ou carretilhas pequenos. As varas
apropriadas são de tamanho que variam de 2,0 a 2,50
metros. As linhas ideais são as de diâmetros entre 0,15
a 0,20 mm. O arranque, quando necessário, deve ser de
linha com um diâmetro um pouco maior e as chumbadas de
formato condizente com a correnteza do momento,
geralmente de 15 g até 40 g , piramidais somente quando
a correnteza o justificar . Os anzóis ideais deverão
ser pequenos e compatíveis com o tipo de peixe
objetivado.
EQUIPAMENTO MÉDIO
é o mais utilizado pelo fato de poder ser utilizado, em
muitos casos, para a pesca leve e pesada. Os peixes que
são pescados nesta categoria são de 200 g a 2 quilos.
Os molinetes ou carretilhas devem ser de tamanho médio.
As varas indicadas são as de 2,5 a 3 metros de ação
rápida. As chumbadas devem ser como já dissemos,
compatíveis com a correnteza local e as piramidais devem
ser utilizadas somente em último caso. O peso se define
na hora pela avaliação da correnteza em relação ao
atrito com a linha utilizada. O IMPORTANTE É APÓS O
ARREMESSO O "CHICOTE" PARAR NO PONTO EM QUE
CAIU. O arranque deve ser de linha de diâmetro superior
aquele da linha principal e conforme a necessidade do
momento. Os anzóis ideais são compatíveis com o tipo
de peixe objetivado.
EQUIPAMENTO PESADO
Deve ser composto por molinetes ou carretilhas com
tamanho maior As varas devem ser de 3,5 a 4 metros. As
linhas devem ser de mais fortes. O arranque indicado deve
variar de 0,40 a 0,60 mm. Os anzóis devem ser
compatíveis com o tipo de peixe objetivado. As chumbadas
mais indicadas são as em forma de "balão
murcho" e as piramidais só se utilizam sob
correnteza , com pesos que variam entre 100 a 150 g.
CHICOTES (empates) Geralmente devem conter 2 anzóis com
haste variando de 30 a 50 cm conforme as condições de
mar. As melhores iscas são aquelas encontradas na
própria praia ou simplesmente o camarão morto, sardinha
e manjuba. Esta modalidade de pesca é geralmente mais
produtiva se realizada na enchente da maré. É comum a
utilização de "secretários" que são,
geralmente confeccionados com tubos de PVC de
aproximadamente 80 cm que são enterrados na areia para
fixar as varas adicionais. Uma boa dica para a pesca na
praia é a utilização de linha fina e capturar peixes
acima de sua capacidade, ampliando a emoção da pesca.
Esta tarefa pode ser executada colocando-se um arranque
no seu equipamento. O arranque é uma linha de maior
espessura que liga a linha principal ao empate. Tem a
função de absorver o impacto do arremesso e garantir a
retirada do peixe da água. O comprimento do arranque
deve ser compatível com o equipamento utilizado. Como
padrão deve-se ter um arranque que, com o equipamento
pronto para o arremesso, dê aproximadamente 4 voltas no
molinete ou carretilha. A composição básica para a
montagem do equipamento consiste na utilização de
chumbo com peso proporcional ao dobro do diâmetro da
linha do arranque (ex: uma linha de 0,50 mm deve-se usar
um chumbo de 100 g). Nunca esquecer de unir o empate à
linha do arranque através de um distorcedor com
"grampo". A utilização de rotores nos empates
é muito eficiente, evitando o enrosco da haste na linha
principal do empate, otimizando a troca eventual de
anzóis. OS MELHORES LOCAIS PARA ENCONTRAR OS PEIXES Cada
formação de praia possui características peculiares e
depende muito do prévio conhecimento pelo pescador para
o sucesso da pescaria. Entretanto, algumas
considerações podem ser feitas: geralmente os melhores
locais indicados à pesca são os locais onde as ondas
quebram, produzindo depressões ou baixios, deixando um
rastro de espuma na água. Este é o tipo de ambiente
onde poderemos fisgar quase todas as espécies que
freqüentam a rebentação. O fator principal deste fato
está relacionado à movimentação das águas e,
conseqüentemente, melhor exposição de alimentos
naturais (crustáceos, moluscos e pequenos peixes). Saiba
como preparar um empate para pesca em praia.
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